segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ajuste seu relógio





 Nesta manhã sai no horário habitual de casa, para ir ao trabalho. Ainda estava escuro e havia uma brisa fresca. Notei que não haviam muitos carros na rua, estranho para uma segunda-feira.
Passei em frente a uma escola e percebi que não havia movimentação. “Mal começou o ano e já não tem aula. É por isso que  a educação vai de mal a pior” – pensei.
A panificadora estava fechada também. “Meu Deus! Será que aconteceu alguma coisa com os donos? A essa hora eles já deveriam ter aberto.”
Que segunda-feira mais esquisita, parece até feriado. Tem algo errado. Peguei meu celular e telefonei para casa. Meu esposo atendeu: “Amor, o que você está fazendo às 6h30 da manhã na rua?”
Agora tudo fazia sentido. Eu havia esquecido de ajustar meu relógio. O horário de verão terminara e eu não ajustara o relógio. O mundo não estava errado. Eu é quem estava com os ponteiros do relógio adiantados.
Há dias em que agimos exatamente, como agi essa manhã, como se o mundo inteiro estivesse errado e nós certos. Vamos vivendo e não questionamos a estranheza dos fatos. Vamos seguindo, afinal, são os outros que estão desajustados, não nós.
São nossos pais que não nos entendem e não nós quem os desonramos. É o patrão  quem pega no  pé, e não nós que somos relapsos em nosso trabalho. Nossos amigos são teimosos, nunca nós os que não cedem.
Será que são os outros que realmente  estão errados? Será que nossas atitudes não estão desajustadas? Pense nisso. E se for o caso, pegue sua bike e faça o caminho de volta. Foi o que fiz.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Vivendo na contra mão







Quando tinha catorze anos sofri um grave acidente de trânsito, tive várias fraturas e perdi a visão do olho direito. Na época encontrei consolo nas palavras de 2Corintios 12.
Um ano após esse acidente apareceu em minha cidade um desses pastores “fenomenais”  e muito “ungidos” que oram por cura e as pessoas recebem milagres instantaneamente . Participei das palestras. No último dia de “campanha” uma  piedosa irmã,que sabia do que havia acontecido comigo, me empurrou lá para frente. O pastor então orou por mim: “Você está vendo agora, irmã?”  “Não”- respondi. Ele me metralhou com aquele olhar “falta-lhe fé” e então preencheu o receituário: “Vou lhe dar sete dias! Daqui a sete dias você ficará curada. Aleleuia! Você crê?” Respondi que sim e fui para casa esperar o meu milagre.
Passei a semana em oração e  jejum. Como se o milagre dependesse de mim. Mas afinal o pastor disse que eu precisava crer.  Eu era uma adolescente de quinze anos, começando minha vida com Cristo e sem os calos emocionais de um adulto.
O dia marcado chegou: abri os olhos pela manhã. Fechei o esquerdo para ver se via algo com o direito. E adivinhe: nada aconteceu. “quem sabe depois da aula?”
Fui para a escola e passei a manhã tentando copiar as tarefas com o olho esquerdo fechado. E é claro fiquei sem a tarefa daquele dia. Corri para a casa e passei a tarde orando. A noite chegou e nada aconteceu. Fiquei confusa por algum tempo, imaginando que minha fé não era grande o bastante; talvez se eu tivesse participado do desafio , se eu tivesse pego o envelope e contribuído;  ou que não era adequada e outras bobagens como essas.
Depois desse episódio passei a caminhar na contra mão. Encontrei-me com o apóstolo Paulo e seu “espinho na carne”. Encontrei-me também com Joni Eareckson Tada, que ainda adolescente ficou tetraplégica. Encontrei – me também com o Sr. Spafford que após perder seus filhos em um naufrágio e seu patrimônio em um incêndio escreveu a canção Sou feliz com Jesus.
            Não sou contra milagres. Acredito neles. Mas aprendi que nem sempre triunfamos. Aprendi que por mais alto que cantemos “vai dar tudo certo, em nome de Jesus”. Nem sempre as coisas acontecem como planejamos. A vida cristã não é uma vida imune a problemas e tragédias. E crer não significa manipular Deus. Mas poder proclamar com convicção:

Se paz a mais doce me deres gozar  
Se dor a mais forte sofrer 
Oh seja o que for Tu me fazes saber 
Que feliz   com       Jesus sempre sou

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O povo da caverna Você vai partilhar a luz?




por Max Lucado


Há muito tempo atrás, ou talvez nem tanto assim, havia uma tribo em uma caverna fria e escura. Os moradores da caverna se amontoavam e choravam por causa do frio. Eles lamentavam em alta voz e por muito tempo. Era tudo que faziam. Era tudo que sabiam fazer. Os sons na caverna eram de pranto, mas as pessoas não sabiam disso, pois nunca tinham conhecido a vida.

Mas então, um dia, eles ouviram uma voz diferente. “Eu ouvi o choro de vocês,” ela declarou. “Eu senti seu frio e vi sua escuridão. Eu vim para ajudar.”

O povo da caverna ficou imóvel. Eles nunca tinham ouvido essa voz. A ajuda soou estranha aos seus ouvidos. “Como podemos saber que você veio para ajudar?”

“Acreditem em mim,” ele respondeu. “Eu tenho o que vocês precisam.”

O povo da caverna observou atentamente a figura do desconhecido através da escuridão. Ele estava empilhando alguma coisa, depois se abaixando e empilhando mais.

“O que você está fazendo?” alguém gritou, nervoso.

O desconhecido não respondeu.

“O que você está fazendo?” alguém gritou mais alto ainda.

Ainda sem resposta.

“Diga-nos!” ordenou o terceiro.

O visitante parou e falou na direção das vozes. “Eu tenho o que vocês precisam.” Ele se virou para o amontoado e o acendeu. A madeira foi iluminada, as chamas saíram com ímpeto e a luz encheu a caverna.

O povo da caverna ficou com medo.” Apague isso!” eles gritaram. “Dói ver.”

“A luz sempre incomoda antes de ajudar,” ele respondeu. Cheguem mais perto. O incômodo vai passar logo.”

“Eu não,” disse uma voz.

“Nem eu,” concordou a segunda.

“Só um tolo iria arriscar expor seus olhos a essa luz.”

O desconhecido parou perto do fogo. “Vocês preferem a escuridão? Vocês preferem o frio? Não fiquem com medo. Dêem um passo de fé.”

Por um longo tempo ninguém falou. As pessoas andavam em grupos cobrindo seus olhos. A pessoa que fez a fogueira ficou perto do fogo. “Está quente aqui,” ele convidou.

“Ele está certo,” disse alguém que estava atrás dele. “Está mais quente.” O desconhecido se virou e viu um vulto andando devagar na direção do fogo. “ Posso abrir meus olhos agora, “ ela falou. “Eu posso enxergar.”

“Venha mais perto,” convidou a pessoa que fez a lareira.

Ela foi. Ela entrou na área iluminada. “Está tão quente!” ela estendeu suas mãos e suspirou quando seu frio começou a passar.

“Venham, todos! Sintam o calor,” ela convidou.

“Quieta, mulher!, gritou um dos moradores da caverna. “Como você ousa nos levar à sua loucura? Vá embora e leve sua luz com você.”

Ela se virou para o desconhecido. “Por que eles não vem?”

“Eles escolheram o frio, apesar de ser frio, é o que eles conhecem. Eles preferem sentir frio do que mudar.”

“E viver na escuridão?”

“E viver na escuridão.”

A mulher que agora estava aquecida ficou em silêncio. Olhou primeiro para a escuridão e depois para o homem.

“Você vai deixar o fogo?” ele perguntou.

Ela parou e depois respondeu, “Não posso. Não posso suportar o frio.” E ela falou de novo. “Mas também não posso pensar no meu povo na escuridão.”

“Você não precisa,” ele respondeu, retirando um galho da fogueira. “Leve isto pro seu povo. Diga que a luz está aqui, e que ela é quente. Fale que a luz é para todos que a queiram.”

Então ela pegou a pequena chama e entrou na escuridão.


FONTE: MAX LUCADO, OUVINDO DEUS NA TORMENTA, P 251 -253 - CPAD, 1995

sábado, 14 de novembro de 2009

FEIO, PORÉM FUNCIONAL!






Sou um tipo de pessoa que gosta de guardar bugigangas. Mas esse meu hábito (ou mau hábito) entulhou meu pequeno quarto e guarda-roupas. Como eu não queria me desfazer das minhas “tralhas”, achei que estava na hora de arrumar um novo armário.
Foi assim que na semana passada, minha mãe chegou em casa com a notícia de que havia arrumado um armário e que este, era uma gracinha! A amiga dela estava fechando um escritório e tinha um armário (que era uma gracinha) e iria vendê-lo por um preço razoável.
Gostei da idéia: eu ficaria feliz por ter uma “gracinha” de armário, minha mãe, por não gastar muito e a amiga dela, por vender o tal armário.
Alguns dias depois, chego em casa e o que encontro? Aquele trambolho horroroso no meu quarto. Tive um ataque quando o vi. Ele era tudo, menos “uma gracinha”. Ele era torto, feio, sem graça, faltavam-lhe pedaços. Não podia acreditar que minha mãe havia trazido aquela coisa horrorosa para casa. Ao perceber minha decepção, ela disse:
“Você não percebe? Ele é feio, porém funcional. Veja quanto espaço possui. E é perfeito para que você organize e acomode todos os seus materiais. Além disso, ele não está pronto. Melissa, você só consegue enxergar o que está na sua frente, mesmo. Pense nesse armário reformado.Visualize-o pintadinho! Vai ficar uma gracinha!”
Devo admitir que depois que me acalmei, comecei a me acostumar com a idéia de ter um armário “feio, porém funcional” (principalmente depois de colocar todas as minhas tralhas dentro dele). Mas essa história serviu para me ensinar algumas verdades espirituais.
A primeira delas foi quanto a minha visão míope! Como disse a minha mãe, eu só enxergo o que está na minha frente. Deus me levou a refletir quanto ao fato de que aquele armário era eu. Calma, eu explico: Um dia, eu e você, éramos como aquele armário, “feios”, por causa do pecado (Rm 3.23), estávamos incompletos e machucados, feridos pelas circunstancias da vida. Não tínhamos nada para oferecer, nada do do que nos orgulhar. Foi então que Deus nos viu. E ao contemplar nossas vidas, Ele não viu apenas as manchas do pecado, as feridas, a rebeldia, não! Ele nos viu transformados, nos viu novinhos em folha! Onde havia erro, Ele enxergou a possibilidade de acertos; onde havia pecado, Ele viu perdão; onde havia fracasso, Ele viu vitórias; onde havia sujeira, Ele imaginou vestes de louvor; no lugar de tristeza e amargura; Ele projetou alegria e doçura; ao olhar nossa inutilidade diante dos homens Ele se lembrou do propósito para o qual havia nos criado: glorificarmos Seu nome e grandiosidade (Is 43.7). Ao visualizar tudo isso, Ele decidiu nos comprar. Porém, o preço pago foi alto, Ele nos comprou com sangue e dor.(Is 53. 2-7;)
Uma outra coisa que aprendi com meu armário “feio, porém funcional”, foi a respeito de como vejo os outros. Percebi que só enxergo o que está na minha frente, e sendo assim, quantos “armários feios” têm passado pela minha vida e não tenho dado importância. Quantas pessoas que aos olhos humanos não têm valor algum, mas que aos olhos do “Grande Marceneiro” são peças valiosas. Isso significa que preciso prestar mais atenção à minha volta, àqueles que precisam de uma chance, àqueles discriminados por sua aparência, posição social ou pelos erros que cometeram, mas que aos olhos do Pai são obras primas. Assim, preciso aprender a enxerga-las da maneira certa, da maneira de Deus: ver potencial onde o homem vê fracasso, ver possibilidades onde os outros vêem limites, ver regeneração onde o homem já determinou condenação. E mais que isso, preciso fazer minha parte, fazer aquilo que Deus espera que eu faça por essas vidas.
A terceira coisa que aprendi, foi que para deixar o meu armário “uma gracinha”, são (e ainda serão) necessárias várias horas de trabalho: primeiro foi preciso montá-lo, depois, reforçá-lo, em seguida, pintá-lo por dentro e depois passar papel parede por fora.
Conosco não é diferente. Para nos deixar do jeitinho que devemos ser, Deus gasta várias horas. São dias e dias nos moldando, lapidando nosso caráter, nos animando quando resolvemos choramingar e criticar Seu glorioso trabalho (achamos que Ele age muito devagar ou rápido demais, nunca estamos satisfeitos).
Aprendi com Max Lucado o seguinte:
“Deus me ama como eu sou, mas me ama muito mais para deixar que eu continue sendo assim, Ele quer que eu seja simplesmente como Jesus”.
E é exatamente isso que Ele está fazendo, está nos conformando a imagem de Seu Filho:
“E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
Rm 8.28-29
E para tanto, Ele não mede esforços, usa situações e pessoas nesse processo. Quando reclamos, Ele age pacientemente nos mostrando “que TUDO coopera para o nosso bem” e que Ele está no controle! Da mesma forma que meu armário, eu ainda não estou pronta, Deus está agindo em mim todos os dias, afim de que eu seja “simplesmente como Jesus”.

Obs. Escrevi esse texto em uma madrugada do ano de 2002...Um dia desses, comentamos sobre esse assunto no Grupo de Adolescentes, então o Gil me aconselhou a publicá-lo, aqui, na integra.
Um abraço a todos que estão nos acompanhando...
Mel e Gil

































                              





sábado, 10 de outubro de 2009

O vale sombrio da morte - PARTE 5


Você não precisa enfrentar isso sozinho
Você também não tem que passar pela dor do luto sozinho. Creia-me, o Bom Pastor, estará ao seu lado consolando-o. Não há uma fórmula para reagir ou superar a morte de um ente querido. A melhor maneira de reagir É A SUA MANEIRA. Se você observar o capitulo 11 do livro de João, notará que as duas irmãs, Marta e Maria, reagiram de formas diferentes a morte do irmão. Jesus não as censurou. Ele não disse como deveriam reagir. Apenas renovou suas esperanças. Você não é, mais nem menos, espiritual ao sentir-se triste e confuso com a perda de alguém que ama.
Quando você conhece o Senhor, sabe que a morte não o fim. E talvez este seja o motivo de sua confusão. Talvez você é cristão, mas a pessoa que partiu não era. Você está em dúvidas sobre a salvação de seu ente querido. Quem garante a você, que no momento em que a morte mostrou sua carranca a esta pessoa, ela não se voltou para o Senhor. E o grande coração de Deus não rejeita alguém que clama por Ele, ainda que seja no último instante:
(RM 10:13) "Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo."
A vontade do Senhor é que todos sejam salvos. Confie no coração de Deus!
A jornada do luto é árdua. Sem explicações. Há picos e declives. Um caminho desértico e sombrio. Mas creia-me, não estamos sozinhos nele. Não precisamos fingir uma super espiritualidade. Deus está preparado para ouvir nossas perguntas e queixas. Ele não deixará de nos amar porque estamos confusos e com os corações partidos. Alguns de nós nunca superam uma perda. Outros, se habituam ao vazio. Nossa esperança está no Senhor. Não há fórmulas ou poções mágicas. De uma forma inexplicável recebemos o consolo de Deus. O importante neste tempo tão difícil é lembrar-nos de todas as vezes que Deus foi bondoso conosco. O Deus que nos abençoou no passado, continua sendo Deus hoje. O Deus que estava conosco nos dias alegres e de fartura, também está presente na escuridão e no deserto.
Que nestes dias dolorosos, nossa oração seja a mesma que a do profeta Jeremias:
(LM 3:21) "Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei."
(LM 3:22) "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;"
(LM 3:23) "Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade."
(LM 3:24) "A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele."
(LM 3:25) "Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca."
(LM 3:26) "Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR."

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O vale sombrio da morte - PARTE 4






ESPERANÇA
A morte não é boa. Embora ela possa nos manter informados quanto a qualidade de
nossas vidas, ela é algo difícil de se enfrentar. Se você está prestes a olhá-la nos olhos, se
perdeu ou está para perder alguém querido, creia-me: você não precisa enfrentar a morte
sozinho.
Uma das passagens bíblicas mais lidas em ofícios fúnebres é o Salmo 23:
(SL 23:1) "O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará."
(SL 23:2) "Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas."
(SL 23:3) "Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu
nome."
(SL 23:4) "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum,
porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam."
O autor do Salmo era um pastor de ovelhas. Antes de dirigir a nação de Israel, Davi
dirigia ovelhas. O jovem pastorzinho sabia que quando os pastos da primavera estavam
tosados, era hora de procurar novos. Buscando o bem-estar de suas ovelhinhas, ele viajava
semanas até encontrar novos campos, onde permaneceriam até outono, ou até que a grama
acabasse. O caminho não era fácil. As ovelhas podiam se machucar, plantas venenosas
poderiam intoxicar o rebanho, serpentes e animais selvagens poderiam atacá-los. Mas o
bom pastor fazia o melhor para suas ovelhas. E assim ele seguia, atravessando vales
sombrios e caminhos tortuosos. O bom pastor conhecia o caminho, já o trilhou muitas
vezes. Com sua vara, tangia o rebanho, com seu cajado o protegia. Ao escrever este salmo,
Davi talvez, tivesse em mente, o fato de que quando os pastos desta terra tornam-se estéreis, o Bom Pastor, nos leva para os pastos superiores.
Ao enfrentar a morte e o luto, não estamos sozinhos. Algum tempo depois de Davi, um outro pastor de Belém afirmou:
(JO 14:2) "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar."
(JO 14:3) "E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."
Como mencionou Max Lucado: “Ele empenha-se em levar-nos ao lar. Ele não delega esta incubência. Ele envia missionários para ensinar você, manda anjos protegerem você, professores para guiar você, mas não manda ninguém para levar você.”

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O vale sombrio da morte - PARTE 3


RENOVANDO NOSSA PERSPECTIVA SOBRE A MORTE
Que a morte é algo ruim você já sabia. Entretanto, ela pode nos dar uma nova perspectiva sobre a vida. Deus é o mestre em transformar coisas ruins em coisas boas. Não estou me contradizendo. O que quero dizer, é que a morte nos faz pensar no que realmente é importante nesta vida.
(SL 90:12) "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios."
Uma vida de hábitos saudáveis pode alongar nossos dias. Mas no fim, há um fim.
A não ser que passemos pelo arrebatamento da Igreja, a verdade é que vamos morrer um dia. E a melhor maneira de viver, é ser honesto quanto o morte.
Quando pensamos na brevidade da vida, as coisas ganham outro significado. Quando alguém que você ama está com os dias contados , ao perceber que a ampulheta da vida está se esvaziando, as coisas mudam. As brigas perdem seu valor, para quê gastar tempo com elas? Passeios na praia ou em jardins são de valor inestimável. O por do sol ganha novas cores. E você percebe, que correr atrás de dinheiro, fama e sucesso é exaustivo e infrutífero. Você percebe, como Schindler[1], que o mais importante na vida, são as pessoas.
Não quero ser utópica, mas talvez, se pudéssemos manter essa perspectiva todos os dias, e não somente quando entramos em contagem regressiva, viveríamos mais satisfeitos.

[1] Referencia ao filme a Lista de Schidler.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O vale sombrio da morte - PARTE 2


TRAGÉDIA OU BENÇÃO?

A primeira coisa que gostaria de dividir com você, é que a morte NÃO é um dom
supremo de Deus, como alguns cristãos piedosos afirmam. A morte é consequência do pecado. Prova disso é que no Jardim do Éden não havia cemitérios. Deus jamais planejou a morte. Tudo indica que se Adão não tivesse pecado, teria completado 9004 anos no ano passado.
(RM 6:23) "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor."
Pensar na morte como sendo uma aliada de Deus, vagando pelas estradas em busca de boas almas, não é nem bíblico nem consolador. Se assim fosse, Jesus teria corrido para os braços da morte de bom grado. E não é isso que a Bíblia nos relata:
“se possível, passa de mim este cálice”
Jesus sabia da glória que o aguardava, mesmo assim, seus sentimentos a respeito da morte não eram positivos, como afirmou Jeff Walling:
“Apesar da glória que O aguardava, esses eram seus sentimentos sobre o assunto [ morte].
Isto porque Ele sabia que a morte era um inimigo de Deus e um aliado de Satanás. Ela devia ser derrotada e destronada e não domesticada e receber um lugar à mesa da família. Ela devia ser odiada e detestada, reconhecida como a ladra da alegria que é. Qualquer outra abordagem leva a inconsistências irreconciliáveis com o amor de Deus e contradições na Palavra de Deus.”[1]
Preste atenção, amigo, as pessoas morrem por causa do pecado. Deus não queria isso. Nós não gostamos de morrer. E a morte não é algo fácil de enfrentar, por mais que nos esforcemos para isso.
O homem não foi feito para morrer. Por isso é tão difícil aceitá-la.

[1] WALLING. J. Ouse Dançar com Deus; São Paulo: Quadrangular , 1996

sábado, 12 de setembro de 2009

O vale sombrio da morte


Se você já viu o cortejo se distanciando. Se você já observou a terra sendo jogado sobre esquife. Se você já tocou a lápide fria. Se você já ficou parado em meio a solidão de um cemitério, então este texto é para você.
Se você está num quarto gélido de hospital , acompanhando um querido sem esperança, então este texto, também, é para você.
Se como eu, você já ergueu os olhos para o céu e perguntou: “Por quê?” Então, este texto, é para você.
Não quero teorizar a respeito da morte. Não quero lhe dar respostas. Se você vai ler as próximas linhas procurando respostas, sinto em informá-lo, você não as encontrará. Pelo simples fato de que a morte é um mistério que nunca compreenderemos.
Quero apenas dividir minhas dúvidas. E talvez, compartilhar algumas idéias que têm me dado esperança.
Quando estamos sofrendo, a melhor maneira de amenizar a dor, é deitar sobre a ferida o bálsamo da esperança. Como disse o profeta:
“ Quero trazer a memória, aquilo que me dá esperança!” Lm 3.21

Sucesso










Durante algum tempo meu tio lutou contra um sarcoma , um câncer que ocorre em tecidos como músculo, gordura, nervos.
Nos últimos meses sua saúde ficou ainda mais frágil. E embora estivesse fraco e com muitas dores ele lutou até o último momento. Sua fé e esperança pareciam inabaláveis.
Na última vez que o vi ele me disse: “Eu continuo nesta guerra. Onde o único vencedor serei eu. Esta foi a oitava cirurgia, mas eu não posso desistir. Quero que vocês orem por mim porque eu não vou desistir.”
E ele não desistiu. E enquanto esteve no hospital compartilhou sua fé em Cristo e esperança com outros doentes, seus familiares, médicos e enfermeiros.
No último domingo, meu tio se foi.
A morte sempre nos faz pensar na vida. Um sábio disse que se você influenciar uma vida de forma positiva, sua vida foi um sucesso.
Durante o oficio fúnebre conheci algumas pessoas a quem ele influenciou: Um viciado em drogas, a quem ele pregou, e por conta disso pode recomeçar; Um casal que tinha sérios problemas conjugais e estavam prestes a se separem, mas que através de seus conselhos ainda estão juntos; Um homem com câncer, por quem ele orou. Entre muitos outros.
Se o sábio tivesse conhecido meu tio, ele teria dito que sua vida foi mais que bem sucedida!