domingo, 8 de fevereiro de 2015

DIAS CINZENTOS...




Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;
Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.

Habacuque 3:17-18


Quando completei doze anos, descobri que meu pai estava com câncer. Na época frequentava uma igreja protestante com minha vó. Ouvia preleções sobre fé, curas e milagres.
            Nos meses que se seguiram, meu pai iniciou um tratamento e eu passei a orar fervorosamente por sua cura.  Foram 145 dias tentando convencer Deus a fazer com que nossas vidas voltassem ao normal. Mas isso não aconteceu. Meu pai faleceu.
E foi assim que iniciei minha peregrinação cristã, tentando entender porque os milagres nem sempre acontecem, tentado descobrir qual botão se aperta para fazerem as coisas acontecerem, ou usando termos mais espirituais, "como tocar o coração de Jesus”,  da mesma forma que os personagens bíblicos que o pastor costumava citar faziam. Quais os requisitos para ouvir de Jesus o mesmo que a mulher cananéia ouviu?

Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã.

Eu cria em milagres. Ainda creio. Vi acontecer várias vezes. Eu mesma já vivenciei.  Mas eles nem sempre acontecem. E as mensagens que ouvia nem sempre condiziam com a realidade. Pessoas de grande fé, tementes e íntegras eram esmagadas por tragédias. Por que nem sempre funcionava?
Com o tempo, e vivendo na própria pele, aprendi (estou aprendendo) que a vida com  Cristo é muito mais do que fazer a oração certa para que ele atenda meus desejos, como um gênio da lâmpada. Como explicou Ed René Kivitz:

“...a grande razão para buscar a Deus é o próprio Deus. [...] Deus não pode ser um meio para alcançarmos nossos fins. Quem busca a Deus para alcançar outros fins não busca a Deus; busca outros fins. [...] Quando você usa Deus para alcançar algo, esse algo na verdade está ocupando o lugar de Deus. [...] Se Deus é apenas alguém que lhe dá o que você quer, seu coração está apaixonado não por Deus, mas pelo que você quer.[1]

A caminhada cristã implica em fazer Dele Senhor de Sua vida , em toda  e qualquer circunstância.

Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;
Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.

Habacuque 3:17-18

Fazer dele Senhor de sua vida ainda que o milagre não aconteça, significa não colocar Deus no banco dos réus, ou ser levado a pensar que Ele não se importa, afinal:

Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16



[1] KIVITZ, Ed René. Talmidim: o passo a passo de Jesus. São Paulo: Mundo Cristão:2012.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

DIAS COMUNS




“Por que estão todos sempre querendo mais?
Mais, mais! - dizem.
Mais, mais!
Deus me dá além da conta,
Alegria sem igual num dia comum –
Mais do que eles conseguem nos seus suspiros consumistas.”
Salmos 4.7
A MENSAGEM





Como você completaria a frase: serei feliz quando ____________________.
Quando comprar um carro. Quando me casar. Quando tiver um filho. Quando meus filhos crescerem. Quando estiver em um emprego melhor.
O problema é que assim que sair da loja, o cheiro de carro novo se evapora, e ele ficará velho.  O cônjuge terá defeitos. Crianças dão trabalho, em qualquer idade. O emprego novo torna-se parte da rotina. E aí fazemos novas listas e seguimos a vida perseguindo coisas que  nunca nos satisfazem.  Estamos presos ao descontentamento. Como definiu Max Lucado: “Se a sua  felicidade vem de algo que você deposita, dirige, bebe ou digere, encare os fatos – você está na prisão, a prisão do querer.”
O salmista nos ensina a andar na contramão da estrada do querer. Ele diz que  encontrou alegria em um dia comum. Não afirma que  está alegre por ter perdido peso, por ter comprado um carro, ganho dinheiro ou mudado de empregado.  Essas coisas são bons motivos para nos alegrar, mas são eventos que não acontecem todos os dias.  E quando não há nenhuma promoção em vista, nada a se festejar, apenas a rotina, a sucessão de dias em que nada de novo acontece?

O salmista encontrou liberdade para a alma aprisionada ao querer: Contentamento!

“Deus me dá além da conta”

De acordo com Ed René Kivitz, se você acordou hoje mais saudável que doente, tem mais sorte que cerca de 1 milhão de pessoas que  não alcançarão a próxima semana. Se você nunca passou por uma prisão ou uma guerra, você tem mais sorte  que 500 milhões de habitantes do mundo. Caso tenha comida em sua geladeira, roupas no armário, um lugar aquecido para dormir e um teto para se abrigar, então você tem mais sorte que cerca de 75% da população mundial. Caso tenha dinheiro  em sua conta bancária, na carteira ou algum trocado em algum outro lugar, você faz parte da lista dos 8% das pessoas com melhor qualidade de vida do mundo. Pense bem, você não tem razões de sobra para dizer como o salmista: “Deus me dá além da conta”?
Você pode não ter a casa dos seus sonhos, mas tem a promessa de um lar eterno.

Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. João 14:2

 Pode não ter um carro 0KM, mas tem um Deus que lhe guia pelo caminho.

Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar

Isaías 48:17

Pode não ter a família que sonhou, mas tem um Deus amoroso ao seu lado.

Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.
Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim.

Isaías 49:15-16


Pode não ter o emprego ou a aparência esperada, mas tem um Deus que olha para dentro do seu coração.

Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração. 1 Samuel 16:7

O que você  tem em  Deus é muito mais do que aquilo que lhe falta nesta vida.

Alegria sem igual num dia comum

Além de nos ajudar a lidar com nossa falta de contentamento, esta passagem nos dá uma dica de como resolver nosso problema com os dias comuns, um antídoto contra a rotina .  Você já se sentiu assim, como se fosse o protagonista do filme feitiço do tempo, onde tudo acontece sempre da mesma forma?
O salmista encontrou em seu Deus a fonte da alegria para os dias comuns. Essa satisfação depositada em Deus e não em uma realidade a ser alcançada, que pode ou não se materializar, lhe ajuda a vencer a mesmice. Seu estado de espirito não é alimentado por circunstancias, mas por sua relação com o Eterno.
Que esta possa ser uma realidade em nossas vidas, viver nossos dias comuns abastecidos pela alegria que não está nas circunstancias, mas que vem de uma relação com  Deus.
E que sejamos gratos por cada uma das coisas aparentemente insignificantes e comuns:  como o pão em nossa mesa. O cônjuge de quem nos despedimos afetuosamente todas as manhãs, para nos dirigirmos ao trabalho rotineiro que nos proporciona o sustendo e tantas outras possibilidades.  A criança que bagunça nossa casa, aumenta nosso orçamento, mas sem a qual não poderíamos viver, já que nos arrebatou o coração. E por falar em casa, por que não nos alegramos também com o teto que nos abriga?
            Como vimos, nossos “dias comuns” são cheios de pequenas bênçãos , além da conta.


Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele. Salmos 118:24

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Direção em todo tempo...

E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite.
Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite. 
Êxodo 13:21-22


Em todo tempo que caminhou pelo deserto o povo foi guiado por Deus. De dia, uma nuvem os protegia do sol escaldante, a noite uma coluna de fogo aquecia seus corações e iluminava a noite escura.

E nós, ainda podemos contar com a mesma direção nos dias de hoje. Seja de dia, quando estamos atribulados com as muitas decisões e cobranças que nos são feitas. Seja na noite escura da solidão, do luto, das promessas quebradas. A mesma nuvem que cobria os israelitas ainda está sobre nós!

Você talvez não possa ver. Mas ela está. Da mesma forma que o povo recebeu orientação e direção você também pode receber. 
Como?
Algumas vezes "nuvem" que o guiará estará nas páginas de sua Bíblia. Em outros momentos, a "coluna de fogo" será vista nos conselhos de um amigo. 
 Mas creia-me você nunca estará sozinho nos desertos que a vida lhe apresentar!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Carta para o Davi

Querido Davi,
Há algum tempo participei de uma reunião de professores em que a palestrante chamou à frente três voluntários e deu a cada um uma tarefa: O primeiro, vendado, deveria construir uma fogueira usando palitos de fósforo; o segundo seria o instrutor e deveria ajudar ao primeiro, orientando-o, mas não poderia fazer o trabalho por ele; já o último participante deveria observar tudo atentamente.
Está manhã, lembrei desta dinâmica e fiquei imaginando que papai e eu, atualmente, somos como o “construtor”. Vendados, sem saber ao certo o que significa cada chorinho seu. Ouvimos vozes amigas que nos orientam:
- É cólica
-Fiquem tranquilos, bebês são assim mesmo!
- Logo ele vai dormir a noite e vocês também!
Daqui algum tempo, seremos como o “instrutor”, procurando orientar você :
-Davi, não suba aí!
-Davi, coma toda a sua comidinha!
- Não fale com a boca cheia!
- Lave as mãos
Mas chegará o dia, meu pequeno bebê, que seremos como o “observador”. Atentos, fitaremos você fazer suas primeiras escolhas, tomar suas decisões. Nesse dia, talvez tenhamos o coração apertado e uma oração para que você trilhe o caminho certo! 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Catedral com rodinhas


Um amigo estava brincando de LEGO com a  filha de três anos e  montou  uma igreja. Ao terminar, a menina argumentou: “papai falta a rodinha”. Meu amigo espantou-se: “Filha, onde você já viu igreja com rodinhas? A pequena respondeu: “Ah! Papai, no meu sonho tem”
Acredito que Deus também tenha sonhado assim. Afinal a Biblia compara a igreja a um corpo em que a cabeça é Cristo.
E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.Colossenses 1:18
Entretanto, de alguma forma nos perdemos no caminho, esquecemo-nos de que a igreja é na verdade um grupo de pessoas com o mesmo ideal: glorificar a Cristo ou nas palavras de Paulo:
para que em tudo tenha a preeminência.Colossenses 1:18
Esquecemos as pessoas e passamos a valorizar a instituição, como diria meu amigo Esequiel Melo:  “Trocamos o organismo pelo CNPJ” .




Esquecemos que “dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente” Rm 11.36. E passamos a nos concentrar em prédios suntuosos, revestidos de mármore, carpetes caros, climatizados e arrojados. E então nos concentramos em ensinar as pessoas o caminho dessas catedrais muito mais do que a adverti-las sobre o fato de que Cristo “é o caminho, e a verdade e a vida;” Jo 14.6
Trocamos o discipulado por listas e regras. E com isso conseguimos fabricar hipócritas que sabem como falar, agir e se vestir, mas não tem a menor idéia de como resolver seus dilemas, dores e pecados.
Criamos doutrinas, escrevemos livros e organizamos métodos  para auto-ajuda, só não falamos sobre Graça. Sobre a escandalosa misericórdia de Deus para conosco.
Temos seminários, cursos e escolas, mas nos esquecemos de  caminhar com as pessoas, de procurar saber quais seus dramas interiores , dividir os nossos próprios e juntos nos agarrarmos a verdade de  que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Fl 1.6
        
Nossa agenda é cheia. Temos muito entretenimento gospel. Porém não temos tempo para relacionamento sincero tanto com as pessoas (o corpo) quanto com  “O Cabeça” (Cristo).
E assim seguimos, crentes de que tudo está bem.  Quem sabe um dia, o sonho da pequena Isa se torne realidade e a igreja passe a ter rodinhas e vá ao encontro das reais necessidades das pessoas. Afinal a Igreja é feita de pessoas!


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sobre abacaxis, meninos e móbiles



Comprei um móbile, desses que giram e tocam musiquinha, para o Davi. Mal podia esperar para ver sua reação quando instalei o brinquedo em seu carrinho de bebê. Pendurei  o brinquedo, arrumei o carrinho na sala e coloquei o Davi dentro.
Para minha surpresa ele nem ligou para o móbile, mas pareceu admirado com um abacaxi que se encontrava na fruteira sobre a mesa. Chamei sua atenção para o brinquedo, não teve jeito. Mas o pior ainda estava por vir, quando dei corda no móbile para ouvirmos a musiquinha, Davi começou a chorar histericamente. Para frustração da mamãe!
De frustrações nossos dias são cheios, não é mesmo? Especialmente nos relacionamentos.  Quantas vezes damos o melhor de nós e não somos reconhecidos, somos mal interpretados ou incompreendidos.  
A verdade é que as pessoas são imprevisíveis e nem sempre agem do modo como gostaríamos. Isso as vezes nos magoa. Será possível passar por essas frustrações sem ficarmos  ressentidos? O apóstolo Paulo nos dá algumas dicas em Romanos 12.
1-    Entenda que pessoas são imprevisíveis. Não nos relacionamos com máquinas programáveis. Assim sendo “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal” RM 12.10
2-   Quando as coisas não saírem como você gostaria não fique pensando nisso. Siga o conselho de Paulo: “Renove sua mente” Rm 12.2
3-   As pessoas as vezes são motivadas por suas emoções, ou seja, nem sempre estão em um bom dia, as vezes nada tem a ver com você, por isso aprenda a “alegrar-se com os que se alegram; chorar com os que choram” Rm 12.15
4-   Dê o braço a torcer, você não é o dono da verdade, nas palavras de Paulo: “Não seja sábio aos seus próprios olhos” Rm 12.16d
5-   “Faça o possível para manter a paz com todos” Rm 12.18
6-   E por fim: “Não se deixe vencer pelo mal, mas vença  o mal com o bem Rm 12.21

A propósito, o pequeno Davi aprendeu a divertir-se com seu móbile, embora ainda aprecie os abacaxis!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sobre crianças e borboletas...

Um grupo de crianças, do Centro de Educação onde trabalho, dirigidas pela professora resolveu estudar sobre a metamorfose da borboleta. A pesquisa incluiu fotos, canções e vídeos. Para alegria do grupo, encontrou-se uma crisálida no jardim da escola. Cuidadosamente a professora removeu o casulo e o colocou em uma caixa de isopor, na esperança de que os pequenos pesquisadores pudessem observar a transformação da lagartinha em borboleta.
Mal sabia ela que ao fazer isso estaria interrompendo o processo. A lagartinha não passou de fase de pupa. Com isso as crianças aprenderam uma lição: não interferir na natureza.
Assim como a lagartinha nós também estamos em metamorfose. Deus continua trabalhando em nossas vidas para nos conformar a imagem de Cristo (Rm 8.29), deixe que Deus molde você na pessoa que Ele quer que você seja,  o maior de todos os milagres que Ele opera é o de uma vida transformada.  
Essa não é uma metamorfose que ocorre da noite para o dia, isto leva tempo. A vida toda.


Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo; Fl. 1.6

sábado, 26 de março de 2011

UM PUNHADO DE AREIA, UM POUCO D’ÁGUA


Nesse verão fui passar um dia na praia com alguns amigos. Estava lá sentada tomando sol quando fui surpreendida pelo Pablo, um garotinho de três anos que estava em nossa companhia:
            - Mell, você vai ficar aí dormindo todo tempo? Vem ajudar a gente a fazer um castelo.
            “Não! Estou de férias. Chega de crianças! Pelo menos não agora...urg.!!!” - pensei
            - Agora não, querido. – respondi
            - Ah, Mell...- suplicou ele.
Como resistir aquela carinha simpática e aquele sorriso que ressaltava as covinhas nas bochechas gorduchas? Não resisti, você já deveria imaginar, fui para junto das crianças construir castelinhos.
Enquanto brincava, notei algo: eu nunca conseguia depositar toda a areia que juntava, nas mãos, em nossa construção. A areia escorregava pelo meio dos meus dedos. O mesmo ocorria com a água, por mais que eu tentasse deter uma certa quantidade de água em minhas mãos, a maior parte dela escorria por entre os dedos.
E foi então que além de um dia divertido, a simpatia das crianças e um tom avermelhado na pele devido ao sol forte, recebi também uma parábola.
A analogia da areia e da água se aplica a nossas vidas. Quantas coisas temos tentado segurar, mas que têm escorregado por entre os dedos. Fazemos o melhor que podemos, agarramos com toda força, mas parece que nossos métodos não funcionam. Às vezes nos iludimos com frases do tipo: “Não se pode ter tudo” ou “A realização plena é uma utopia”.
Para alguns, o punhado de areia é um relacionamento. Para outros, a estabilidade financeira. Pode ser a saúde, ou ainda, um pouco de alegria. E até mesmo, uma gota de esperança, ou qualquer coisa que produza um pouco de luz na noite sombria da tragédia.
A questão é que por mais que tentemos, jamais conseguiremos deter nosso punhado de areia. Ele escorregará. Talvez restem alguns grãos, mas nunca a totalidade.
As estratégias podem manter as pessoas por perto por algum tempo, porém, cedo ou tarde, elas se cansarão de nossos métodos mesquinhos e partirão. Você duvida? Então me responda: Por que tantos casamentos são defeituosos?  Por que o encanto acaba? Por que  as palavras duras cavam sulcos na terra do coração? Por que surge aquele abismo intransponível que afasta as pessoas? Nossas mãos pequenas não conseguem deter nossos relacionamentos. E isso não se aplica apenas aos relacionamentos românticos.
Tenta-se dar um “jeitinho” a fim de conquistar algum sucesso financeiro. Mas os esquemas falham e a falência é certa. A areia fina do sucesso esvai-se por entre os dedos.
As drogas e o álcool podem trazer uma certa leveza à alma, mas não arrancam a dor do coração. Nossas mãos são pequenas para amenizar a dor. Tenta-se aconselhamentos, análise, mas enquanto não se arrancar aquilo que fere o coração, estaremos apenas usando de paliativos. É inútil tentar arrancar um tumor com band-aid.
As velas do pensamento positivo e do otimismo se apagam antes que a noite sombria se vá.
Nossas estratégias são inúteis. Nossas mãos são pequenas. Entre nossos dedos há um espaço que faz com que a areia se vá.
Mas há uma mão da onde as coisas não escapam:
 “Eu sou Deus; também de hoje em diante, eu o sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” Is 43:13
Essas Mãos são grandes o bastante para “manter” nossos relacionamentos. Não que iremos fugir de nossas responsabilidades, mas Suas Mãos transformam nosso caráter, imprimindo nele a Sua vida, vida esta que atrai e não repele as pessoas. Suas Mãos endireitam nossas finanças. Nos ensinam a viver contentes em qualquer situação. E fazem do NADA, TUDO. De Suas Mãos nada escapa.
Suas Mãos tocam nosso corpo debilitado. Se você duvida, olhe nas páginas de sua Bíblia, a mesma Mão que tocou o leproso, que ergueu o coxo e deu vista ao cego, continua operando hoje, em mim e em você.
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” Hb 13:8
Quando permitimos que Ele segure a “areia”, mais do que isso, quando permitimos que Ele segure também nossas vidas, algo extraordinário acontece: Ele passa a ser nossa fonte de alegria.
E já não há mais problemas com a escuridão, pois Ele é nossa Luz:
“Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.” Jo 8:12
Não, não estou dizendo que a vida com Ele é um mar de rosas. Mas estou dizendo que Ele nos faz ver as circunstâncias por um ângulo jamais imaginado. Ele redireciona nossas perspectivas. Mais do que isso, Ele nos mostra que n’Ele somos amados, aceitos e amparados e que Suas mãos são grandes e bondosas, a ponto de tomar nossa culpa e fazer-se maldito por nós.
“mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.” Is 53:6
Podemos confiar nas Mãos daquele que se entregou por nós. As Mãos transpassadas revelam Seu amor e cuidado por nós.
Da próxima vez que tentar segurar um punhado de areia, lembre-se do Autor da vida, Ele é Aquele que pode lhe dar muito mais que um punhado de areia, ou algumas gotas de água. Ele tem todo o oceano, e Suas mãos podem contê-lo.
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Is 55:8-9