sábado, 13 de novembro de 2010

O Tio do Meio

No ano passado, dois de meus tios tiveram câncer. Contei neste espaço sobre o exemplo de fé que um deles nos deu. Mas no quesito fé e maturidade cristã, o tio “do meio” não ficou para trás.
Durante o tratamento meu tio retomou sua caminhada com Cristo. Em uma de nossas conversas ele me disse:

“ Sei que Deus pode me curar! E não questiono o porquê de não o ter feito ainda. Por outro lado,  sei que nem sempre as pessoas são curadas. Isso é um fato. Isso é a vida. E nada tem a ver com fé ou caráter. Tem a ver com o tempo e propósito de Deus para cada um.
Não posso mudar a vontade de Deus sobre o tempo que tenho, se a vida inteira, caso seja curado, um mês ou um ano. Também não posso saber como será o fim. Tudo que sei é sobre o dia que tenho. E vou encarar cada dia que Deus me der como um milagre. Não vou fazer grandes planos. Meu plano agora é o seguinte: vou ser um bom pai,  um bom esposo e vou procurar ser um cara melhor.”

Nos meses que se seguiram ele cumpriu sua promessa. E em dezembro partiu.
Não há um dia sequer, desde então, que não lembre sobre nossa conversa. E na maturidade com que encarou esse longo deserto.
“Em que está alicerçada minha vida cristã?” É a questão que vem a minha mente quando pondero sobre isso. E minha oração, desde então, tem sido essa:

Senhor,
 Não quero que minha vida cristã esteja pautada em experiências religiosas, em arrepios, sentimentos e emoções.
Quero  esse tipo de fé que não se abala com pneus furados, filhos que adoecem no meio  da noite ou encanamentos entupidos. Não uma fé que emerge das profundezas apenas para derrubar grandes gigantes. Quero esse tipo de fé que sabe estar contente tanto na pobreza quanto na riqueza. Quero este tipo de fé que atravessa o câncer e o anda pelo vale da sombra da morte. Não quero ser alguém   que julga o próximo, antes se importa em ser melhor.

Nenhum comentário: