Nesse verão fui passar um dia na praia com alguns amigos. Estava lá sentada tomando sol quando fui surpreendida pelo Pablo, um garotinho de três anos que estava em nossa companhia:
- Mell, você vai ficar aí dormindo todo tempo? Vem ajudar a gente a fazer um castelo.
“Não! Estou de férias. Chega de crianças! Pelo menos não agora...urg.!!!” - pensei
- Agora não, querido. – respondi
- Ah, Mell...- suplicou ele.
Como resistir aquela carinha simpática e aquele sorriso que ressaltava as covinhas nas bochechas gorduchas? Não resisti, você já deveria imaginar, fui para junto das crianças construir castelinhos.
Enquanto brincava, notei algo: eu nunca conseguia depositar toda a areia que juntava, nas mãos, em nossa construção. A areia escorregava pelo meio dos meus dedos. O mesmo ocorria com a água, por mais que eu tentasse deter uma certa quantidade de água em minhas mãos, a maior parte dela escorria por entre os dedos.
E foi então que além de um dia divertido, a simpatia das crianças e um tom avermelhado na pele devido ao sol forte, recebi também uma parábola.
A analogia da areia e da água se aplica a nossas vidas. Quantas coisas temos tentado segurar, mas que têm escorregado por entre os dedos. Fazemos o melhor que podemos, agarramos com toda força, mas parece que nossos métodos não funcionam. Às vezes nos iludimos com frases do tipo: “Não se pode ter tudo” ou “A realização plena é uma utopia”.
Para alguns, o punhado de areia é um relacionamento. Para outros, a estabilidade financeira. Pode ser a saúde, ou ainda, um pouco de alegria. E até mesmo, uma gota de esperança, ou qualquer coisa que produza um pouco de luz na noite sombria da tragédia.
A questão é que por mais que tentemos, jamais conseguiremos deter nosso punhado de areia. Ele escorregará. Talvez restem alguns grãos, mas nunca a totalidade.
As estratégias podem manter as pessoas por perto por algum tempo, porém, cedo ou tarde, elas se cansarão de nossos métodos mesquinhos e partirão. Você duvida? Então me responda: Por que tantos casamentos são defeituosos? Por que o encanto acaba? Por que as palavras duras cavam sulcos na terra do coração? Por que surge aquele abismo intransponível que afasta as pessoas? Nossas mãos pequenas não conseguem deter nossos relacionamentos. E isso não se aplica apenas aos relacionamentos românticos.
Tenta-se dar um “jeitinho” a fim de conquistar algum sucesso financeiro. Mas os esquemas falham e a falência é certa. A areia fina do sucesso esvai-se por entre os dedos.
As drogas e o álcool podem trazer uma certa leveza à alma, mas não arrancam a dor do coração. Nossas mãos são pequenas para amenizar a dor. Tenta-se aconselhamentos, análise, mas enquanto não se arrancar aquilo que fere o coração, estaremos apenas usando de paliativos. É inútil tentar arrancar um tumor com band-aid.
As velas do pensamento positivo e do otimismo se apagam antes que a noite sombria se vá.
Nossas estratégias são inúteis. Nossas mãos são pequenas. Entre nossos dedos há um espaço que faz com que a areia se vá.
Mas há uma mão da onde as coisas não escapam:
“Eu sou Deus; também de hoje em diante, eu o sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” Is 43:13
Essas Mãos são grandes o bastante para “manter” nossos relacionamentos. Não que iremos fugir de nossas responsabilidades, mas Suas Mãos transformam nosso caráter, imprimindo nele a Sua vida, vida esta que atrai e não repele as pessoas. Suas Mãos endireitam nossas finanças. Nos ensinam a viver contentes em qualquer situação. E fazem do NADA, TUDO. De Suas Mãos nada escapa.
Suas Mãos tocam nosso corpo debilitado. Se você duvida, olhe nas páginas de sua Bíblia, a mesma Mão que tocou o leproso, que ergueu o coxo e deu vista ao cego, continua operando hoje, em mim e em você.
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” Hb 13:8
Quando permitimos que Ele segure a “areia”, mais do que isso, quando permitimos que Ele segure também nossas vidas, algo extraordinário acontece: Ele passa a ser nossa fonte de alegria.
E já não há mais problemas com a escuridão, pois Ele é nossa Luz:
“Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.” Jo 8:12
Não, não estou dizendo que a vida com Ele é um mar de rosas. Mas estou dizendo que Ele nos faz ver as circunstâncias por um ângulo jamais imaginado. Ele redireciona nossas perspectivas. Mais do que isso, Ele nos mostra que n’Ele somos amados, aceitos e amparados e que Suas mãos são grandes e bondosas, a ponto de tomar nossa culpa e fazer-se maldito por nós.
“mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.” Is 53:6
Podemos confiar nas Mãos daquele que se entregou por nós. As Mãos transpassadas revelam Seu amor e cuidado por nós.
Da próxima vez que tentar segurar um punhado de areia, lembre-se do Autor da vida, Ele é Aquele que pode lhe dar muito mais que um punhado de areia, ou algumas gotas de água. Ele tem todo o oceano, e Suas mãos podem contê-lo.
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Is 55:8-9
