
Sou um tipo de pessoa que gosta de guardar bugigangas. Mas esse meu hábito (ou mau hábito) entulhou meu pequeno quarto e guarda-roupas. Como eu não queria me desfazer das minhas “tralhas”, achei que estava na hora de arrumar um novo armário.
Foi assim que na semana passada, minha mãe chegou em casa com a notícia de que havia arrumado um armário e que este, era uma gracinha! A amiga dela estava fechando um escritório e tinha um armário (que era uma gracinha) e iria vendê-lo por um preço razoável.
Gostei da idéia: eu ficaria feliz por ter uma “gracinha” de armário, minha mãe, por não gastar muito e a amiga dela, por vender o tal armário.
Alguns dias depois, chego em casa e o que encontro? Aquele trambolho horroroso no meu quarto. Tive um ataque quando o vi. Ele era tudo, menos “uma gracinha”. Ele era torto, feio, sem graça, faltavam-lhe pedaços. Não podia acreditar que minha mãe havia trazido aquela coisa horrorosa para casa. Ao perceber minha decepção, ela disse:
“Você não percebe? Ele é feio, porém funcional. Veja quanto espaço possui. E é perfeito para que você organize e acomode todos os seus materiais. Além disso, ele não está pronto. Melissa, você só consegue enxergar o que está na sua frente, mesmo. Pense nesse armário reformado.Visualize-o pintadinho! Vai ficar uma gracinha!”
Devo admitir que depois que me acalmei, comecei a me acostumar com a idéia de ter um armário “feio, porém funcional” (principalmente depois de colocar todas as minhas tralhas dentro dele). Mas essa história serviu para me ensinar algumas verdades espirituais.
A primeira delas foi quanto a minha visão míope! Como disse a minha mãe, eu só enxergo o que está na minha frente. Deus me levou a refletir quanto ao fato de que aquele armário era eu. Calma, eu explico: Um dia, eu e você, éramos como aquele armário, “feios”, por causa do pecado (Rm 3.23), estávamos incompletos e machucados, feridos pelas circunstancias da vida. Não tínhamos nada para oferecer, nada do do que nos orgulhar. Foi então que Deus nos viu. E ao contemplar nossas vidas, Ele não viu apenas as manchas do pecado, as feridas, a rebeldia, não! Ele nos viu transformados, nos viu novinhos em folha! Onde havia erro, Ele enxergou a possibilidade de acertos; onde havia pecado, Ele viu perdão; onde havia fracasso, Ele viu vitórias; onde havia sujeira, Ele imaginou vestes de louvor; no lugar de tristeza e amargura; Ele projetou alegria e doçura; ao olhar nossa inutilidade diante dos homens Ele se lembrou do propósito para o qual havia nos criado: glorificarmos Seu nome e grandiosidade (Is 43.7). Ao visualizar tudo isso, Ele decidiu nos comprar. Porém, o preço pago foi alto, Ele nos comprou com sangue e dor.(Is 53. 2-7;)
Uma outra coisa que aprendi com meu armário “feio, porém funcional”, foi a respeito de como vejo os outros. Percebi que só enxergo o que está na minha frente, e sendo assim, quantos “armários feios” têm passado pela minha vida e não tenho dado importância. Quantas pessoas que aos olhos humanos não têm valor algum, mas que aos olhos do “Grande Marceneiro” são peças valiosas. Isso significa que preciso prestar mais atenção à minha volta, àqueles que precisam de uma chance, àqueles discriminados por sua aparência, posição social ou pelos erros que cometeram, mas que aos olhos do Pai são obras primas. Assim, preciso aprender a enxerga-las da maneira certa, da maneira de Deus: ver potencial onde o homem vê fracasso, ver possibilidades onde os outros vêem limites, ver regeneração onde o homem já determinou condenação. E mais que isso, preciso fazer minha parte, fazer aquilo que Deus espera que eu faça por essas vidas.
A terceira coisa que aprendi, foi que para deixar o meu armário “uma gracinha”, são (e ainda serão) necessárias várias horas de trabalho: primeiro foi preciso montá-lo, depois, reforçá-lo, em seguida, pintá-lo por dentro e depois passar papel parede por fora.
Conosco não é diferente. Para nos deixar do jeitinho que devemos ser, Deus gasta várias horas. São dias e dias nos moldando, lapidando nosso caráter, nos animando quando resolvemos choramingar e criticar Seu glorioso trabalho (achamos que Ele age muito devagar ou rápido demais, nunca estamos satisfeitos).
Aprendi com Max Lucado o seguinte:
“Deus me ama como eu sou, mas me ama muito mais para deixar que eu continue sendo assim, Ele quer que eu seja simplesmente como Jesus”.
E é exatamente isso que Ele está fazendo, está nos conformando a imagem de Seu Filho:
“E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
Rm 8.28-29
E para tanto, Ele não mede esforços, usa situações e pessoas nesse processo. Quando reclamos, Ele age pacientemente nos mostrando “que TUDO coopera para o nosso bem” e que Ele está no controle! Da mesma forma que meu armário, eu ainda não estou pronta, Deus está agindo em mim todos os dias, afim de que eu seja “simplesmente como Jesus”.
Obs. Escrevi esse texto em uma madrugada do ano de 2002...Um dia desses, comentamos sobre esse assunto no Grupo de Adolescentes, então o Gil me aconselhou a publicá-lo, aqui, na integra.
Um abraço a todos que estão nos acompanhando...
Mel e Gil
Obs. Escrevi esse texto em uma madrugada do ano de 2002...Um dia desses, comentamos sobre esse assunto no Grupo de Adolescentes, então o Gil me aconselhou a publicá-lo, aqui, na integra.
Um abraço a todos que estão nos acompanhando...
Mel e Gil